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Cabotegravir: a inovação que pode revolucionar a prevenção do HIV no Brasil e no mundo


Você já imaginou se prevenir contra o HIV com apenas uma injeção a cada dois meses? Essa é a proposta do cabotegravir, o primeiro medicamento injetável que previne contra o vírus causador da aids, e que acaba de ser aprovado no Brasil pela Anvisa.

O cabotegravir é uma profilaxia pré-exposição (PrEP), ou seja, uma forma de prevenção que atua antes de uma possível exposição ao vírus. Ele é indicado para pessoas que têm um maior risco de contrair o HIV, como homens que fazem sexo com homens, mulheres trans, profissionais do sexo e casais sorodiferentes.

A grande vantagem do cabotegravir em relação aos atuais tratamentos preventivos, feitos com comprimidos que devem ser tomados diariamente, é o seu efeito mais prolongado. As duas primeiras doses do medicamento devem ser aplicadas em um intervalo de quatro semanas. Depois, basta receber uma injeção a cada oito semanas, ou seja, a cada dois meses.

Isso significa que, em vez de tomar 365 comprimidos por ano, você só precisaria tomar seis injeções por ano. Além de ser mais prático e discreto, isso também pode aumentar a adesão ao tratamento e reduzir os esquecimentos.

O cabotegravir já foi testado em dois estudos clínicos, envolvendo mulheres, mulheres trans e homens que fazem sexo com homens. Os resultados mostraram que o medicamento injetável é 69% mais eficaz do que os comprimidos na prevenção do HIV.



O medicamento já havia sido aprovado em 2021 nos Estados Unidos e também recebeu a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Outros países que também já aprovaram o uso do cabotegravir são Austrália e Zimbábue.

No Brasil, o cabotegravir teve o registro publicado no Diário Oficial da União no dia 5 de junho de 2023, mas ainda não tem uma data para ser comercializado nem na rede pública nem na privada. O Ministério da Saúde ainda precisa estudar a incorporação dele ao SUS e definir algumas regras para isso.

A aprovação do cabotegravir pelo Brasil chega em um momento em que o país registra um aumento no número de casos de HIV nos últimos anos. Segundo o mais recente Boletim Epidemiológico de HIV/Aids, os diagnósticos tiveram um salto de 198% no país, com aumento de 13,7 mil para 40,9 mil por ano.

No mesmo período, porém, os casos de aids caíram de 43,2 mil notificações em 2011 para 35,2 mil em 2021, uma redução de 18,5%, algo que os especialistas atribuem aos tratamentos antirretrovirais.

O Ministério da Saúde aponta que pelo menos um milhão de brasileiros convivem com o vírus. Em todo o mundo, de acordo com o programa para a aids da Organização das Nações Unidas (ONU), são mais de 38 milhões de infectados.

O cabotegravir representa uma esperança para a prevenção do HIV e para a qualidade de vida das pessoas que vivem com o vírus. Ele é mais uma ferramenta para combater a epidemia da aids e para garantir os direitos humanos e a saúde sexual e reprodutiva das populações mais vulneráveis.

Fonte: DW / G1 / Anvisa

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